Cada afirmação deste texto foi conferida no documento oficial citado abaixo.
A política e o critério estão documentados. O tamanho do impacto por perfil não é público e varia.
Em 30 de abril de 2026 o Instagram passou a tratar de forma diferente as chamadas contas agregadoras: perfis cujo conteúdo é predominantemente de terceiros, seja repostagem, recorte ou compilação.
A penalidade não é banimento. Para quem vive de crescimento, é pior. Essas contas perdem a recomendação para não seguidores, que é justamente o canal por onde uma página cresce.
O detalhe que inverte a reação óbvia
O critério é proporção, e não volume.
Isso derruba o primeiro instinto de quem se vê afetado, que é postar menos repost. Diminuir repost não muda a proporção se o conteúdo original também não subir. Cinco reposts em dez publicações dá na mesma que um repost em duas.
O que muda a proporção é aumentar a fatia de conteúdo próprio. Gravar mais, ainda que publique o mesmo tanto.
Por que isso pesa para quem vende
Boa parte da operação de afiliado no Brasil se apoia numa mecânica simples: achar vídeo que já viralizou, repostar e colocar o link. Funciona rápido, custa quase nada e escala sem talento de produção.
Essa mecânica agora paga dois pedágios que se somam.
O primeiro é de alcance. A conta perde a distribuição para quem não segue, que era o que fazia o repost valer a pena.
O segundo é jurídico, e ele tem artigo com número.
A Lei 9.610/98 diz, no artigo 29, inciso I, que a reprodução parcial ou integral de uma obra depende de autorização prévia e expressa do autor. Até aí, nada que surpreenda quem reposta.
O artigo 104 é o que pega a operação de afiliado, porque ele alcança quem só usa:
“Quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator”
Repare em “lucro direto ou indireto”. Quem reposta vídeo de terceiro não vende o vídeo, e é por isso que muita gente acha que está fora. A comissão do link é ganho indireto, e o texto legal já previu isso.
A lei também não fala em quantidade. Pelo artigo 102, o titular de uma obra reproduzida sem autorização pode pedir a apreensão ou a indenização, e um vídeo já é uma obra.
O resultado prático é que conteúdo original deixou de ser o jeito bonito de fazer e virou o único jeito de crescer nesse tipo de perfil.
O que fazer com isso
Meça a sua proporção antes de opinar sobre ela. Conte, nos últimos 30 posts, quantos são material seu. Quase todo mundo erra essa estimativa para menos.
Aumente o numerador em vez de diminuir o denominador. Um vídeo original a mais por dia muda mais a sua situação do que cortar dois reposts.
E resolva a pauta com produto na mão. Programas de amostra de marketplace existem para o afiliado gravar conteúdo próprio: o vendedor manda o produto, você grava. É insumo de conteúdo original a custo zero, alinhado com o que a plataforma quer premiar.
O que não dá para afirmar
Não existe número público de quanto alcance se perde. A política descreve o mecanismo, que é a perda de recomendação a não seguidores, e o critério, que é proporção. A magnitude varia por conta e não é divulgada. Desconfie de quem publicar uma porcentagem exata de queda, porque ela não existe em fonte oficial.
Recebe o próximo por e-mail
Uma publicação por dia sobre o que está funcionando, sempre com a fonte junto.
Guardamos só o endereço, para enviar as publicações. Não repassamos a ninguém e dá pra sair em um clique, em qualquer e-mail.
- Política do Instagram sobre contas agregadoras, anunciada em 30 de abril de 2026
- Lei 9.610/98, artigos 29, 102 e 104, texto oficial no portal da Presidência da República